CAVALO CRIOULO


O Cavalo da Raça Crioula

Pelagem dos Cavalos Crioulos

Como os gaúchos tosam seus cavalos

Modos e significados de atar a cola do cavalo

Entenda melhor todas as etapas da Prova Freio de Ouro

Estatísticas da progênie de La Invernada Hornero

O Cavalo Crioulo - Investimento em ascensão

 


 

 

O cavalo da raça crioula

A ABCCC conta a história deste cavalo dos pampas.

O Crioulo, conhecido como o "Pequeno Grande Cavalo das Américas", descende dos cavalos Andaluzes e Lusitanos que foram trazidos para a América pelos colonizadores no século XVI. Estes animais tinham sangue dos cavalos berberes, vindos do norte da África pelos muçulmanos (mouros) que dominaram a Península Ibérica por oito séculos. O criador e historiador da raça, Floriano Aguilar Chagas, revela que descendentes desses cavalos são os atuais Mustangs dos Estados Unidos, o Mesteño, do México, o Paso Fino, do Peru, o Morochuca, da Bolívia e o Crioulo, criado no Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile e Brasil.

Ainda na primeira metade do Século XVI, foram espalhados cavalos ibéricos pela Costa Atlântica da América do Sul. Eram fundamentais como único meio de transporte terrestre, para as guerras e para os serviços nas estâncias, relata Floriano. Segundo ele, espalharam-se cavalos mansos por todos os quadrantes do Continente e, passados os anos, as tropilhas de cavalos domesticados aumentaram. Alguns foram abandonados e muitos fugiram e se dispersaram e, em liberdade, se multiplicaram. Conforme estudo de Floriano, a sua maior proliferação foi nas imensas e férteis planícies do Cone Sul do Continente Americano, onde formaram imensos rebanhos selvagens.

Muitos desses cavalos selvagens foram cair nas mãos dos indígenas, que se tornaram exímios cavaleiros e nas suas andanças espalharam e mesclaram essas cavalhadas. E assim formou-se a raça Crioula que, em conseqüência das condições de sua própria formação, pela seleção natural, com o aperfeiçoamento fisiológico e sobrevivência dos mais aptos, tem características muito especiais.

O superintendente do Serviço de Registro Genealógico da ABCCC, veterinário Gilberto Loureiro de Souza, explica que esta seleção natural fixou no cavalo Crioulo a condição de suportar tanto as altas como as baixas temperaturas, viver, procriar e ter longevidade, alicerçado somente nas condições ambientais. Segundo ele, estes aspectos de enorme importância, tornam o cavalo Crioulo inigualável.

Já no início do Século XX, grupos de criadores, adeptos da seleção do cavalo Crioulo, organizaram-se no sentido de criar e ordenar parâmetros seletivos para a formação de uma "base" de animais, ou seja, o embrião do standard racial. Após estes primeiros passos, formaram-se comissões para eleger os animais aptos a pertencer ao grupo base, relata Loureiro de Souza. Estas comissões se deslocaram por diversas regiões do Estado gaúcho, onde havia populações expressivas de cavalos.

Este grupo de homens, do cavalo, 22 agropecuaristas gaúchos, resolveram fundar a Associação de Criadores de Cavalos Crioulos, o que ocorreu em 28 de fevereiro de 1932, em Bagé, RS. Posteriormente, a entidade passou a se denominar Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), e ganhou sede definitiva em Pelotas, RS. No dia 4 de outubro de 2000, pela primeira vez, em quase 70 anos, uma mulher assumiu a presidência da entidade, Elisabeth Amaral Lemos.

CARACTERÍSTICAS DA RAÇA

Altura: Cerca de 1,35m a 1,52m, com média de 1,45m em machos e fêmeas.
Porte: Pequeno
Pelagem: A clássica é o gateado, ou seja, um baio escuro, comum a listra preta., desde o fim da crineira até a cauda, estrias escuras nos membros e muitas vezes nas cernelhas. Todas as pelagens são admitidas.
Cabeça: Curta e larga, em forma de pirâmide, perfil reto ou ligeiramente convexo, olhos grandes, expressivos, afastados sobre o bordo do plano frontal, as orelhas são pequenas e afastadas da bases.
Andadura: Marcha trotada
Temperamento: Vivo, inteligente, corajoso, muito forte, bem disposto e possuidor de grande resistência.
Aptidões: O Crioulo é, por excelência, um cavalo de trabalho, ideal na lida com gado, para passeio e enduro, podendo ser usado para percorrer grandes distâncias.

 

Fonte: ABCCC - Assessoria de imprensa - Associação: www.abccc.com.br

 

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Pelagens - Aprimore seus conhecimentos sobre pelagens de cavalos.

As pelagens básicas se constituem em: Alazão, Baio, Branco, Cebruno, Colorado, Douradilho, Gateado, Mouro, Oveiro, Picaço, Preto, Rosilho, Tobiano, Tordilho e Zaino.

Pelagens Compostas:

Alazão chamalotado ou apatacado: Quando tem manchas mais claras e arredondadas.

Alazão dourado: O típico com reflexos do ouro.

Alazão típico: O que tem a cor da brasa ou da cereja.

Alazão ruano: Quando tem a cauda e crina claras.

Branco albino, melado ou rosado: Quando há uma despigmentação congênita, inteira ou parcial, das pestanas e da íris. Sua pelagem tem reflexos rosados. É sensível ao sol.

Baio branco ou claro: É uma tonalidade de creme desmaiado.

Branco mosqueado: O que leva pelo corpo, em forma irregular, pontos pretos do tamanho de uma mosca.

Branco porcelana: O que tem manchas pretas, as quais, por transparência, por meio dos pêlos brancos, produzem reflexos azuis da porcelana.

Baio achamalotado ou apatacado: Quando apresenta manchas redondas e mais claras do que o resto do corpo.

Baio amarelo: É como uma gema de ovo, quando estendida numa porcelana branca.

Baio encerado: Quando tem a cor mais escura, parecendo-se com a cera virgem.

Baio cabos negros: Quando tem as extremidades dos membros, da cauda e a crina escuras.

Baio cebruno: Também escura, levando no corpo manchas mais escuras do que o baio encerado.

Baio dourado: quando tem reflexos do ouro.

Baio ovo de pato: Quando tem uma cor amarelado creme. Sua crina, cauda e cascos também são cremes.

Baio ruano: é um baio com a cauda e crina claras.

Colorado típico: É avermellhado com o tom claro.

Colorado pinhão: Tem a cor do pinhão.

Cebruno ou barroso: Com a tonalidade mais escura do que a do baio cebruno, parecendo-se com a cor do elefante.

Douradilho: É um colorado desmaiado com reflexus dourados.

Douradilho pangaré: É o que tem o focinho, axilas e ventre mais claros.

Gateado típico: É um baio escuro acebrunado nas quatro patas e com uma linha escura, que vai da cernelha à garupa, com aproximadamente dois dedos de largura.

Gateado osco ou pardo: É mais escuro que o típico, assemelhando-se ao gato pardo.

Gateado pangaré: O que tem o focinho, as axilas e o ventre com a pelagem mais clara.

Gateado ruivo: O que tem a cauda e a crina aproximada a cor do fogo.

Lobuno claro: Quando se parece com a plumagem de uma pomba.

Lobuno escuro: Quando mais escuro do que o lobuno claro.

Zaino claro: Da cor da castanha.

Zaino negro: Como a castanha mais escura.

Preto típico: Tem a tonalidade semelhante ao carvão.

Preto azeviche: Preto vivo com reflexos brilhantres.

Tordilho claro:
Quando tem predominância de pelos brancos.

Tordilho negro: Predomina os pelos pretos. Com a idade vai se tornando claro.

Tordilho chamalotado ou apacatado: Quando com manchas arredondadas mais claras.

Mouro negro: Se parece com o tordilho negro, com tonalidade azulada.

Mouro claro: É um gris azulado.

Oveiro azulego: É um mouro claro com manchas brancas.

Oveiro bragado: Quando em qualquer pelagem portam manchas isoladas no baixo ventre.

Oveiro chita: É overo com manchas brancas salpicadas num fundo rosilho.

Oveiro de índio: Qualquer pelagem com manchas de tamanho médio.

Oveiro chita: É overo com manchas brancas salpicadas num fundo rosilho.

Rosilho abaiado: Quando tem pelos amarelados entre o vermelho e o branco.

Rosilho claro ou prateado: Quando predominam os pelos brancos sobre os vermelhos.

Rosilho colorado:
Quando predominam os pelos vermelhos sobre os brancos.

Rosilho gateado: É um gateado com pelos brancos.

Rosilho mouro: É uma mescla entre pelos vermelhos, brancos e pretos.

Rosilho overo: Quando dentro da pelagem rosilha tem manchas brancas.

Rosilho tostado: Quando tem pelos tostados em lugar dos vermelhos.

Tobiano baio: É um baio nas mesmas condições dos demais tobianos.

Tobiano colorado: É um colorado nas mesmas condições do tobiano negro.

Tobiano negro: É um preto com manchas brancas grandes divididas com o preto.

Tobiano gateado: É um gateado nas mesmas condições dos demais.

Zaino claro: Da cor da castanha.

Zaino negro: Como a castanha mais escura.

Também existem tobianos cebruno, alazão, douradilho, zaino, tordilho, etc.

Outros detalhes de pelagem

Entrepelado: O que tem uma mescla de pelagens diferentes, formando assim um total indefinido.

Pangaré: Quando descolorido em algumas regiões do corpo, sobretudo nas partes inferiores, destacando-se nas axilias, focinho e ventre, seu descolorido se assemelha a cana da Índia.

Rabicano: Quando nas caudas escuras tem pelos brancos na sua base.


Fonte: O Cavalo Crioulo: Seis Décadas de Experiência
Autor: Dirceu dos Santos Pons

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COMO OS GAÚCHOS TOSAM SEUS CAVALOS

Raul Annes Gonçalves


Solicitado por um amigo, procurei reunir nestas linhas, destinadas aos "Anais" da prestigiosa Associação dos Criadores de Cavalos Crioulos, o pouco que conheço sobre as diversas maneiras de tosar cavalos, em uso entre os gaúchos do Rio Grande.
Desconhecendo, em absoluto, a existência de qualquer trabalho ou literatura sobre o assunto, tratei de expor o que tenho visto e feito em quase vinte anos de vida de estância, nos municípios de Rosário, Livramento e Alegrete. Como verão os leitores dos "Anais", trata-se de simples conhecimento pessoal, limitado a pequena região da vasta campanha Rio-Grandense.
Outros criadores mais campeiros e que melhor conheçam os hábitos do gaúcho, poderão dar à revista da A. C. C. C. mais completas indicações, servindo-a melhor em seu desejo de reunir e publicar tudo o que se refere, aos usos e tradicionais costumes dos nossos gaúchos.

Clique na imagem para ampliarFig. 1 - Não é verdadeiramente um tôso. Devemos porém mencioná-lo por ser o primeiro que leva o bagual ao ser domado. Os gaúchos ao pegarem o pôtro para doma, conservam-lhe toda a crina, crescida pelos anos de potrilho, e a qual continua respeitada pela tesoura enquanto o animal é "de rédea". Ao receber o freio, tosanino pela primeira vez. O cavalo inicia, portanto, sua vida de serviço com toda a crina, sendo chamado "Quilinudo", quilina de potro ou bagual; ("Quilinia" é o que se ouve por crina).

 

Fig. 2 - "Côgotilho" é o tôso mais preferido, e apesar de ser um dos mais simples, é o mais bonito por dar graça ao contorno do pescoço. Nasce entre as orelhas com a altura de 1 cm.; segue elevando-se com harmonia (arco de barril), até ter de 4 a 5 cm de altura no meio do pescoço, e morre no " péga-mão " com a altura de 2 cm. Não é habito vir acompanhado da franja ou topete. É usado, geralmente por gaúchos de todas as idades.

 

Fig. 3 - "Ponta de lança", é um dos tôsos mais fáceis. Não leva topete. Começa entre as orelhas com altura de 1 ou 2 cm., continua em crescimento leve até ao "pega-mão", onde termina com uns 4 ou 5 cm. de altura. É pouco usado nos cavalos de montaria; encontra-se com mais freqüência em animais de carroça ou de andar de peães de estância. Para muitos este toso não dá graça alguma ao cavalo; até mesmo o faz representar mais feio de pescoço. Outros há que bastante o apreciam, usando.

 

Fig. 4 - "Meio-tôso", é feito com a repartição da crina de ponta a ponta; uma parte é tosada a côgotilho, e a outra deixa-se calda em toda a sua extensão, bem comprida e sem sinal de tesoura, ou então aparada à meia taboa do pescoço. Leva franja. É usado em cavalo de andar de mulher. É tôso bastante bonito e dá certa graça à cabeça do animal, principalmente quando esta é chimbé.

 

Fig. 5 - "Quilina aparada", conserva-se todo o cabelo da crina, que é somente aparado reto a meia altura da táboa do pescoço. Pode ser só de um lado ou de ambos, conforme a quantidade de crina do animal. Leva franja. Tôso preferido para, petiços de andar de crianças, e faz com que o animal represente ser menor. Também se vêm cavalos assim tosados, geralmente são de andar de pessoas velhas ou então cavalos de carro.

 

Fig. 6 - Não tem nome próprio. É o tôso cogôtilho com um negalho ou mecha de cabelo de 15 a 20 cm de comprimento, com uns 6 cm de largura na base da mecha. Leva franja. É freqüente ter um "passarinho" logo atrás das orelhas. Usado em cavalos recém enfrenados, quando os ginetes são solteiros e bem gaúchos.

 

Fig. 7 - "Tôso de passarinho", feito a côgotilho, sendo enfeitado com "passarinhos". Estes, são feitos a critério e gosto do tosador.

 

 

Fig. 8 - "Baianio", de origem militar, ou de fora do Estado, é tido entre os gaúchos como sinal de pouco gosto ou de não saber tosar. É cortado baixo, acompanhando todo o pescoço com a mesma altura de 1 ou 2 cm. Nada de topete.

 

Fig. 9 - "Meia quilina", leva franja, começa como o tôso de côgatilho e vai até o meio do pescoço; daí em diante fica a crina inteira e caída ao longo da táboa do pescoço. Esta modalidade é usada às vezes por domadores em baguais de rédea. Facilita o uso do buçal entre as orelhas e o resto da crina fica para tirar as cócegas do pingo.

 

Fig. 10 - "Tôso de égua de manada", usado em égua de cria e em cavalos velhos fora de serviço, dos quais se aproveita o cabelo para vender. É tosado rente ao couro, desde a cabeça até às cruzes (cernelha).

 

 

Fig. 11 - Vê-se neste desenho um tôso de passarinho, o pága-mão e o topete ou franja. Pega-mão é o nome dado à parte final da crina. Fica sobre as cruzes. Todo e qualquer tôso leva o pega-mão. Serve de auxílio ao pular em pelo no cavalo, sendo agarrado pela mão esquerda ao formar o salto para o lombo. A franja ou topete varia conforme o tôso ou gosto do tosador; usada somente para bonito, .não é muito freqüente.

 

Fig. 12 e 13 - Estas figuras, mostram que os passarinhos não abrangem toda a crina na largura; são feitos no meio da mesma. A crina varia de 6 a 2 cm de largura, conforme o cavalo seja Crioulo ou mestiço Inglês. Em cavalo Crioulo, o passarinho tem 1 ou 2 cm de largura no máxima, com 4 cm de altura. Nos mestiços será feito na largura de toda a crina, isto é 2 cm. Já não é tão bonito e nem bem ao gosto Crioulo. Finalizo esta pequena: descrição fazendo ‘votos para que outros criadores dêem aos "Anais" mais. detalhes sobre a arte de tosar os pingos na campanha sul riograndense.

 

Fonte: Anais da ACCC,nº 11, julho de 1943.

 

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Modos e significados de atar a cola do cavalo


O gaúcho riograndense tem o hábito e lhe causa gosto especial – como que fascinação – de "andar de cola atada", como ele mesmo diz na gíria campeira.
Ele imagina, mentalmente, que cada modo cause um dado efeito nesse imemorial hábito simbólico do peão de estância, no Rio Grande do Sul, onde o próprio autor deste ensaio vagou campo fora em ocasiões por espaços de dias, há mais de 50 anos, desde que "me conheci por gente" pastoreado gados, "aquerenciado" ou reunido a tourada de 4 e 5 anos, ás vezes "bagual", para castrála após o clássico adelgaço.
Esses touros, verdadeiras feras, sem costeio algum, eram postos em lugar plano, sem sanga, circundados por quinze, vinte ou mais gaúchos, os quais entravam de um a um no rodeio para enlaçar o seu escolhido ou tira-lo campo fora.
Montando em cavalos Crioulos que regulam de 1m,42, porque se escolhia o reprodutor baixo, comprido e de boa periferia – todos traziam atada a cola de seu corcel, o que o campeiro muito considerava, dizendo textualmente: "Meu cavalo é como um pensamento", expressão até hoje usada por tradição e com orgulho.
Como se vê em linhas gerais, a cola atada embora não trazendo vantagem maior para o serviço, era mais um hábito e, especialmente, um ornamento, como pode ser o tirador, o lenço ao pescoço, ou extensivamente, no homem o anel, e na mulher, a pulseira e a própria pintura nos lábios, cuja frivolidade as mulheres de toda a esféra social adotam e está como epidemia – se é que pode ser considerada doença.
O uso do tirador, entretanto, tem função de utilidade, principalmente o de feito de antigo – regulando 2 palmos de largura por 3 e meio de comprimento, ou seja retangular. O material usado era um couro de terneiro, bem sovado, ou de animais selvagens, - guarachaim (sorro), gato palheiro, jaguatirica, capivara, etc. Mas, o mais apreciado, cara terístico e de muita duração, é o tirador de couro de lontra. A utilidade deste ornamento, usado por cima do chiripá, sobre a cintura, destina-se a passar o laçar ou pialar um animal.
Atualmente os tiradores são enormes couros curtidos, demasiadamente compridos e incomodos, prejudicando a agilidade do gaúcho, qualidade inerente ao homem de campo. Em paralelo a essa lamentável deturpação de nossos hábitos gaúchos, outros se têm introduzidos por mal entendimento: - A bombacha de uso do verdadeiro campeiro era estreita e não o exagero incomodo que a mocidade usa hoje por baixo do enorme tirador, que tolhe os movimentos e não tem significado prático algum. E note-se que, com muito poucas exceções, o homem de campo que usa esses exageros é sempre um péssimo campeiro ; não sabe carnear uma rês, é um mau laçador, não é identificado com o seu cavalo e descura das árduas funções das lides do campo, que exigem o homem simples e observador, moderado e vivo, sóbrio e de bom humor – sem a mínima preocupação do que usa e do que veste: são costumes hereditários alheios a sua percepção.
Atar a cola do redomão (cavalo de mais de três galopes) é usado para tirar as cócegas do mesmo. Usa-se, também, em tempo de grande chuvas, para passar em pântanos, evitando embarrar a cola.
‘Mais do que, porém, a estultícia da pintura dos lábios ou o beiço furado da selvagem, ou ainda o talho no rosto do negro africano, - a cola atada, em suas diversas modalidades – tem para o gaúcho um significado especial e tradicional.
O cavalo com a cola atada – por uma impressão nervosa que se comunicará ao sistema muscular e a todo o aparelho locomotor, - fica como mais ágil sentindo esse efeito.
Os 10 principais modos em voga atualmente para atar a cola são conhecidos por:


Bailado

Negro Velho

Nó de Capataz

Passeio em carreira

 


Corneta

 

 


Moço bonito

 

Seguranças

Uruguaio

Segurança

Nó ligeiro

 

 

1 – Bailado
2 – Negro Velho
3 – Nó de Capataz
(Para arrocinar cavalo)
4 – Passeio em carreira
5 – Corneta
( Essencialmente para corrida de cavalhadas, festas tradicional dos cidadão rio-grandense)
6 – Moço bonito (Para ver a noiva)
7 – Seguranças (Atado ao cavalo do amo, pelo seu peão ou capanga)
8 – Uruguaio (Usado no Rio G. do Sul mais para passeio)
9 – Segurança
10 – Nó ligeiro
(Para recolhidas ou apartes de rodeio)

 

Autor: Leônidas de Assis Brasil (Dedicado ao eng.º agr.º Roberto C. Dowdall).
Fonte: Artigo publicado nos Anais da ACCC nº 13 - julho 1942

 

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Entenda melhor todas as etapas da Prova Freio de Ouro.


O Freio de Ouro é uma avaliação rigorosa e integral do cavalo da raça crioula.

Acompanhe, passo a passo, com a orientação do veterinário e crioulista Gilberto Loureiro de Souza, como se desenrola uma competição do Freio de Ouro.

O Freio de Ouro divide-se em duas etapas:

Parte 1 - Morfologia:
É uma avaliação do padrão racial e do nível de enquadramento do animal aos padrões seletivos da raça.

São valorizadas, nessa etapa, características como o equilíbrio estrutural, a frente leve, a firmeza da linha superior e um bom relevo muscular. Todo o conjunto tem de estar bem sustentado sobre bons aprumos. Pontuação: de zero a dez.

Parte 2 - Prova Funcional: a segunda fase da competição, a parte funcional, que avalia o desempenho do animal em atividades derivadas das lidas do campo, divide-se por sua vez em dois momentos:

Primeiro momento

1) Andadura:
Na primeira demonstração funcional da prova, exige-se do cavalo a definição e manutenção de três modos diferentes de andar:

a) Tranco
b) Trote
c) Galope

São observados nessa etapa a tipicidade do andar, a comodidade, o avanço e o equilíbrio.
Pontuação: de zero a 15. Tranco= de 0 zero 3 / Trote= de zero a 8 / Galope= de zero a 4.

Importante: o trote tem peso maior na pontuação porque é a andadura mais utilizada pelo cavaleiro em um deslocamento longo pelo campo.

2) Figura:
Prova de média exigência, desenvolvida em um circuito demarcado por fardos de feno, em que se avalia o equilíbrio nas trocas de mãos e patas, potência de execução e submissão a todas as solicitações do ginete. Pontuação: de zero a 15

3) Volta sobre patas e esbarrada:
Um dos momentos mais difíceis do Freio do Ouro. Divide-se em duas partes:

a) Volta sobre patas: O ginete leva o cavalo à frente dos jurados, faz o animal girar sobre o próprio corpo 360 graus para um lado e em seguida para o outro. Pode fazer de uma a três voltas. Mas deve fazer para um lado o mesmo número de voltas que realizou para o outro.

b) Esbarrada: O ginete acelera o cavalo por uma distância de 20 metros e em seguida solicita ao animal uma freada brusca, fazendo com que ele se apóie sobre os posteriores. O cavalo praticamente "senta" no chão.

A seguir, o ginete repete o movimento em sentido contrário. Esta etapa traduz um dos movimentos símbolos do cavalo de trabalho, que é a sua completa submissão ao comando do cavaleiro. O cavalo tem de enfiar corretamente os posteriores entre as mãos e parar sem saltar.

Pontuação: de zero a cinco para a volta sobre patas, sendo 2,5 pontos para cada lado que o animal roda. E de zero a dez para a esbarrada, sendo cinco pontos para cada movimento executado.

4) Mangueira:
É o primeiro momento em que o cavalo trabalha com gado. Na mangueira, o animal mostra sua aptidão vaqueira, equilíbrio, impulsão e coragem. Esta prova é tão importante que ocorre duas vezes durante o Freio de Ouro. Divide-se em três momentos:

a) O cavalo tem de apartar (separar) um dos dois novilhos que estão na mangueira.

b) O cavalo tem de manter o novilho afastado do outro bovino por 45 segundos.

c) O cavalo tem de arremeter com o peito, ou "pechar" (do espanhol, el pecho, o peito) contra a lateral do novilho apartado num ângulo de 45 graus, primeiro por um lado e depois pelo outro, e fazer o animal recuar. Tem 45 segundos para executar o movimento.

Pontuação: de zero a 15. Aparte = de zero a 10 / Pechada= de zero a 5 (2,5 pontos para cada execução).

5) Prova de Campo ou Paleteada 1:
Última e decisiva etapa do Primeiro Momento do Freio de Ouro. Observa-se aqui, mais uma vez, a aptidão vaqueira, a velocidade, a força e a total submissão do cavalo ao cavaleiro.

Duplas, formadas pelo resultado da pontuação acumulada até o momento (o primeiro com o segundo, o terceiro com o quarto e assim sucessivamente) perseguem um novilho por uma raia de 110 metros de comprimento por 50 metros de largura, com marcações de fardos de feno aos 30 metros, 80 metros e 110 metros.

Nos primeiros 30 metros, os ginetes deixam o novilho correr. Entre os 30 metros e os 80 metros, o novilho deve ser "prensado" entre as "paletas" dos dois cavalos, daí a expressão paleteada.

Após a ultrapassagem do marco de 80 metros e antes do final da raia, os ginetes adiantam os cavalos em relação ao novilho, cortando-lhe a frente, para que o animal retorne. Na volta, a paleteada se repete, para que o novilho seja reconduzido à mangueira. Pontuação:de zero a 15.

Importante: Até este momento, as notas que aparecem nas placas são multiplicadas por 1,5. A seguir, é feita a soma de todas as notas obtidas e o resultado é dividido pelo número de provas executadas e somado com a pontuação da morfologia. O resultado credencia de 40% a 50% dos cavalos e ginetes para o segundo momento do Freio de Ouro.

Segundo momento

6) Mangueira:
A prova é uma repetição dos movimentos executados no primeiro momento. Pontuação:de zero a 20.

7) Bayard-Sarmento:
Prova em que se exige velocidade na execução, correção nos movimentos e atenção à submissão. É realizada em uma raia de 80 metros.

O cavalo arranca em velocidade, percorre 40 metros, esbarra, faz a volta sobre patas para um lado e para outro de uma a três vezes, volta a correr 40 metros, esbarra novamente. Depois gira 180 graus, corre mais 40 metros e repete a esbarrada.

Faz a volta sobre patas para ambos os lados, corre mais 40 metros e faz a última esbarrada.
Pontuação: de zero a 20.

8) Prova de Campo ou Paleteada 2:
Tudo igual a primeira. Pontuação:de zero a 20.

Importante: As notas que aparecem nas placas deste segundo momento do Freio de Ouro são multiplicadas por dois e somadas. A soma é dividida pelo número de provas executadas até o momento e o resultado é somado com a pontuação da morfologia. Chega-se, assim, ao resultado final da prova do Freio de Ouro.



Fonte: Site Oficial da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulo

 

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Estatísticas da progênie de La Invernada Hornero


     Caro leitor do Cavalo Crioulo, tenho tido a satisfação de estudar as linhagens mais importantes da Raça Crioula no Brasil nos últimos 25 anos. Preciso mencionar que todas as descrições e análises que apresento aqui se referem exclusivamente ao Freio de Ouro. Não há estudos relativos às exposições morfológicas da Expointer, o que talvez eu venha a fazer no futuro, a partir de outubro. Quero dizer, também, que não tenho enfatizado o caráter probabilístico-preditivo das análises, mas sim o de contar a história do Freio de Ouro através dos números.     Nesta edição, meu propósito é apresentar os resultados de La Invernada Hornero: o chefe-maior da Raça Crioula no Brasil e – se tenho direito a opinar – também na América. Eu explico. O cavalo n.º 1 do Chile é Casas de Polpaico Estribillo, assim considerado porque 37% de seus filhos participaram no campeonato nacional do Chile e porque é pai de vários campeões (como Reservado, Lechon, Escorpión, Estribillo II, Estimulada e Esquinazo). Se acreditarmos que o Freio de Ouro é uma competição mais exigente do que a chilena, se considerarmos que 38% dos 111 premiados nesta competição eram filhos de Hornero, se lembrarmos ainda que em torno de 33% dos filhos de Hornero contribuíram para sua pontuação no Registro de Mérito; então, sem sombra de dúvidas, Hornero foi um pai muito superior ao grande Estribillo. Além do mais, vale considerar que filhos de Hornero foram campões de 12 exposições morfológicas da Expointer desde 1987 (34%).
     João Vicente Sá me lembra, com muita propriedade, que pelas características e exigências de cada uma das competições (a chilena e a brasileira), não há como comparar verdadeiramente esses dois excepcionais cavalos crioulos pelo fato de terem padreado em países diferentes e em criatórios com estrutura, propósitos e matrizes diferentes. Com o que concordo: Não há como saber! Minha suspeita é que, se os irmãos Bastos Tellechea e Dirceu Pons tivessem importado Estribillo ao invés de Hornero, talvez este texto de hoje não fosse sobre o tordilho, e sim sobre o cavalo preto; eu tenho razões para supor, contudo, que os resultados não lhe seriam tão favoráveis, porque na competição brasileira a morfologia é critério de avaliação.




     Sobre essa questão da morfologia, Mariano Lemanski comentava comigo que a ‘febre’ de importação de chilenos puros que não atendem aos critérios estabelecidos para a raça no Brasil (seleção integral) é injustificável. E que isso deverá afetar a morfologia dos animais brasileiros e, em conseqüência, a sua avaliação nas competições da ABCCC. As evidências que colhemos na análise publicada na edição de dezembro último apontam para essa direção, ao detectar que quanto maior a taxa de sangue chileno, menor a avaliação morfológica. Por isso (e por outras razões também), a análise estatística selecionou como o melhor cavalo para o Freio de Ouro, o híbrido chileno (de ½ a ¾ de sangue). Assim, da ótica do Freio de Ouro, só teria sentido importar animais puros para a reprodução, para a produção de mestiços. Parecem ser esses os critérios adotados por cabanhas vitoriosas como São Rafael, Paineiras, Santa Edwiges, Santa Angélica, entre outras. Não quero dizer com isso que não devêssemos trazer animais do Chile, mas penso que deveríamos trazer apenas os animais de exceção daquele país, que têm condições efetivas de levar o plantel brasileiro a atingir seu objetivo de seleção. E já que me dei o direito de opinar: os chilenos puros produzidos em cabanhas brasileiras (como Itapororó e 38, por exemplo), porque tomam em consideração o equilíbrio entre função e morfologia, estão muito mais aptos a suprir as exigências da nossa competição do que grande parte dos importados d’além Cordilheira dos Andes. Dois bons exemplos disso são ‘Jalisco de Santa Angélica’ e ‘Festeiro do Itapororó’.


DESCENDÊNCIA VITORIOSA


     Para este estudo, analisei a 5ª geração de todos os 111 premiados desde 1982. Além dessa amostra, me baseei na árvore genealógica de 395 animais dos 408 classificados para as finais dos Freios de Ouro de 2000 a 2005. Somadas, as duas amostras contêm 5as gerações de 470 cavalos crioulos.

     Em relação ao papel desempenhado por Hornero, há uma distribuição irregular dos dados na amostra dos 111 premiados desde 1982, que pode ser dividida claramente em duas fases: uma anterior a 1995 e outra posterior. Até aquele ano, 67% de seus filhos eram ½ sangue, fruto de cruzamentos com éguas sem sangue chileno, principalmente rio-grandenses. A partir de 1996, tendem a aparecer com maior freqüência (75%), entre os vitoriosos, filhos seus com em torno de ¾ de sangue. De seus 22 filhos vencedores ½ sangue, 82% obtiveram premiação até 1995. Não houve filhos premiados em 2004 e 2005. Esse quadro é parcialmente explicado pela ausência de Hornero há quase 10 anos. A tendência natural é que, até 2009, apareçam poucos filhos seus entre os premiados, mas devemos continuar a ver seus netos brilhando.

     Entre os 395 animais classificados para as finais dos Freios de Ouro de 2000 a 2005 analisados, estiveram presentes 79 filhos, 125 netos, 65 bisnetos e 13 tataranetos de La Invernada Hornero. Isto é, 72% dos finalistas tinham seus gens e mais da metade eram ou filhos ou netos desse excepcional raçador. Nesse período, iguais 72% de descendentes seus foram premiados (8 filhos, 10 netos e 5 bisnetos). Uma forma possível de ler esses resultados é que, embora a taxa de descendentes de Hornero seja a mesma entre finalistas e premiados (72%), há proporcionalmente maior participação de filhos do que de bisnetos de Hornero entre os ganhadores de ouro, prata e bronze. O que pode significar que quanto maior o grau de parentesco com Hornero, maiores tenham sido as chances de premiação.

     Essa constatação é corroborada pelos resultados comparativos das provas funcionais e morfológicas desses 395 animais. Os filhos têm desempenho superior aos animais com menos ou nenhum sangue de La Invernada Hornero. O Gráfico demonstra que decresce a média funcional à medida que decresce o grau de parentesco com Hornero. O mesmo acontece com o desempenho morfológico, já que a média dos filhos (7,2) é superior ao 7 obtido por netos e bisnetos (os animais sem parentesco com Hornero obtiveram média morfológica de 7,1).


Gráfico 1 – Desempenho funcional médio dos finalistas dos Freios de Ouro de 2000 a 2005 por grau de parentesco com Hornero


     É exatamente isso, também, o que mostra a história do Freio de Ouro. Dos 111 prêmios distribuídos desde 1982, se considerarmos apenas o parentesco em maior grau com Hornero, veremos que, dentre os ganhadores de ouro, prata ou bronze, havia: 42 filhos (38%), 15 netos (14%) e 8 bisnetos (7%) – não havia tataranetos exclusivos entre os premiados. Desses 42 filhos de Hornero, 14 ganharam o Freio de Ouro, 16 de Prata e 12 de Bronze.

     Talvez seja por isso que – quando perguntamos ao Ricardo Pinto Torres (técnico da ABCCC e profundo conhecedor da raça crioula) sobre qual sangue deve ter um produto da nossa criação – ele responda: “Hornero! Sempre Hornero!”


PAI DE BONS PAIS


    Dentre os filhos premiados de La Invernada Hornero, alguns se destacaram também como pais: Nobre Tupambaé, BT Brazão do Junco e Butiá Arunco foram Freio de Ouro e tiveram filhos premiados e finalistas nas últimas 5 edições (ver quadro). BT Faceiro do Junco, BT Butiá e BT Bailongo foram premiados e tiveram vários filhos finalistas. BT Hobby do Junco e Chicão de Santa Odessa não foram premiados, mas seus filhos o foram. BT Delantero, Entrevero Charrua, BT Cara e Coroa e BT Favorito tiveram mais de um filho finalista no período pesquisado.


Animal

Filho(s) premiado(s)

N.º de filhos finalistas entre 2001 e 2005

Nobre Tupambaé

Rico Raco Tupambaé

11

BT Hobby do Junco

Largo da 3 J
Gago de Santa Angélica

1

BT Brazão do Junco

Campana Farrapo

 

Butiá Arunco

Delicada da Água Funda

2

Chicão de Santa Odessa

Santa Etelvina Helenita

1

BT Faceiro do Junco

 

4

BT Butiá

 

4

BT Delantero

 

4

BT Bailongo

 

3

Entrevero Charrua

 

2

BT Cara e Coroa

 

2

BT Favorito

 

2

 QUADRO 1 – Os filhos de Hornero que produziram finalistas ou premiados no Freio de Ouro

     Como já escrevi na edição passada, tanta competência em um só cavalo talvez tenha explicação no processo endogâmico do qual é resultado. Pela concentração de gens, Hornero tem, na prática, dez avós: quatro naturais (Vastago, Noche Buena, Sanción e Coiron III, do qual é também bisneto) e outros seis por consangüinidade (Guarda, Madrigal, Curanto, Alfil II, Angamos e Beduíno 2), todos importantes no Chile, sem exceção. Além disso, podemos hipotetizar que Hornero, além dos naturais, teria outros quatro bisavós extraordinários: Africano, Azahar, Mezcla e Cristal 1.

     Pelo muito que já se falou sobre as qualidades de La Invernada Hornero e por tudo o que foi dito aqui, é que lhe fazemos reverência. A raça crioula é pródiga em cavalos de lei. A cada ano surgem de seis a dez animais excepcionais, a maior parte deles com seu sangue. Desde que chegou ao Brasil, Hornero provocou uma revolução genética, criou uma dinastia. Portanto, já que seu melhor filho é Nobre, podemos proclamar com toda a convicção, como está dito nos versos de Rodrigo Bauer cantados por Joca Martins...


“Desde então, por onde ande, HORNERO É O REI DOS CAVALOS!”

Agradecimentos, pela leitura crítica e pelo retorno, a
Mariano Lemanski (Cabanha São Rafael)
Edilon Xavier de Almeida (Cabanha do Campestre)
João Vicente Sá (Cabanha do Barreiro)Beatriz Pereira (Cabanha Primorosa)

 

Autor: Prof. Dr. Luís Centeno do Amaral - centenoamaral@terra.com.br

 

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O Cavalo Crioulo - Investimento em ascensão


Crioulo - termo que representa "nativo do lugar". O Cavalo Crioulo é descendente dos cavalos Berberes e Andaluzes (grandes cavalos de guerra no Velho Mundo), cavalos que foram embarcados para desbravar a América com os colonizadores.

Estes animais, aqui chegando, encontraram na pampa (região plana de alta capacidade nutricional no sul da América do Sul) um ambiente propício para se reproduzirem, formando manadas selvagens, que foram selecionados pela natureza durante 400 anos, até que homens do campo que reconheciam a capacidade de trabalho, força e resistência incomum destes animais, passaram a resgatá-los dos índios para uso no trabalho. Abriram-se assim os registros genealógicos no Chile, na Argentina, no Brasil (RS), no Uruguai e Paraguai. Hoje, existe a Federação Internacional dos Criadores de Cavalos Crioulos formada por estes cinco países.

Os cavalos crioulos são animais que, quando vieram para o continente americano, já eram selecionados há muitos anos na Europa, usados nas guerras e na atividade cotidiana – urbana e nos campos. Na seleção natural ganhou resistência, fôlego, ossos, peles, tendões rijos e fortes e; agilidade aprimorada pela necessidade de fugir dos inimigos naturais e resistindo desde as geleiras das Cordilheiras do Andes até o deserto chileno.

Esse cavalo treinado nas mesmas condições de raças importadas (como o Quarto de Milha e o Árabe do Oriente) vence várias provas de forma incontestável, julgados por jurados americanos e brasileiros têm chamado a atenção desde valente pequeno-grande cavalo, vai conquistando o Brasil e até mesmo começa a ser exportado para os EUA.

Os americanos estão acompanhando e estudando os resultados do Cavalo Crioulo, impressionados com a performance deste cavalo que estava "escondido" no fundo das Fazendas e Estâncias. Hoje, o cavalo crioulo brasileiro é considerado o melhor de todos entre os outros países do continente. O cavalo deixou de ser um esporte da elite e chegou no homem da cidade como lazer e investimento. Do empresário ao profissional liberal encontram-se os interessados em desenvolver as condições para treinar, competir e vencer, mais que o próprio produtor rural, que sabe mesmo é criar e não investir para competições oficiais.

E para garantir a ampliação dos investidores, diminuir o preço no pregão de animais selecionados e permitir comodidade, a internet é fundamental para aproximar o produtor e o investidor: encurtando caminhos e viabilizando profícuos negócios.



Autor: Fernando Zandonai é coordenador do Leilão Digital do Cavalo Crioulo da Estância da Quinta – equinta@terra.com.br

 

 

 

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